Os Trólebus de
Ribeirão Preto

Transerp - Transportes Urbanos de Ribeirão Preto

Após a primeira crise petrolífera, é criado em 1979, pelo Ministério
dos Transportes, um grupo de trabalho para desenvolver um
projecto piloto de trólebus em cidades de tamanho médio.
Ribeirão Preto, no interior do Estado de S. Paulo, é escolhida e,
em 1980, é criada a Transerp, uma empresa de economia mista.
Definidas as zonas a serem servidas pelos trólebus, em 1981 inicia-se
a construção das instalações fixas e é feita a licitação para a compra de
22 viaturas, as quais vêm a ser fornecidas pela Mafersa,
com carroceria Caio e equipamento eléctrico Villares.
A inauguração solene do sistema de trólebus dá-se em 30 de abril de 1982,
na linha 207, Presidente Dutra, que  liga sede da Transerp
ao centro da cidade. Presentes as altas individualidades da cidade,
designadamente o Prefeito Duarte Nogueira, a TV Ribeirão, a Imprensa.
E a 24 de julho começa a funcionar comercialmente
o sistema de trólebus de Ribeirão Preto,
o 12º sistema do tipo a ser criado no país e o 32º na América Latina.
Progressivamente vão entrando ao serviço novas linhas
em novos corredores: em 07/08/1983 para o Jardim Independência;
em 15/04/1984 para Vila Virgínia; em 01/12/1988 para o Hospital
das Clínicas; e em 15/06/1992 para Iguatemi.
Com a expansão da rede e o aumento da procura, tornou-se necessário
o aumento do parque de viaturas. Este é feito em 1992 por 16 ônibus a
diesel, os quais passam alternar com os trólebus nas mesmas linhas.
Em 1996, face ao progressivo aumento das tarifas da energia eléctrica
no país e à oferta, cada vez maior e a preço inferior, de combustíveis
derivados do petróleo, a Transerp tenta, pela primeira vez, suprimir os
trólebus - apesar de reconhecer as suas interínsecas vantagens,
nomeadamente na preservação do Meio Ambiente -,
altura em que adquire mais 6 ônibus a diesel.
Uma nova Administração suspende tal atitude e tenta relançar
o trólebus na cidade. Porém, não consegue ultrapassar as crescentes
oposições e, vencida (mas não convencida), abdica.
O sistema de trólebus de Ribeirão Preto encerra durante a primeira hora
do dia 3 de julho de 1999. Sem qualquer notável presença a assinalar.
(* - Leia a reportagem dos acontecimentos.)
Consumatum est!
As sete linhas da Transerp foram divididas pelas três
maiores empresas privadas de transporte da cidade, com o compromisso de que aí circularão ônibus a diesel equipados com ar condicionado.

 

(clique nas fotos para as ampliar)

 

Allen Morrison visitou o sistema de
trólebus de Ribeirão Preto em
28 de dezembro de 1982, pouco tempo
após a sua criação, tendo fotografado
os carros nºs 1007 e 1015 (em baixo)
no corredor Presidente Dutra.
1007, 1982/12/28
1015, 1982/12/28

 

1013, 1985 A revista Transporte Moderno, do Rio de
Janeiro, publicou, no final dos anos 80
e em maio de 1990, dois artigos sobre o
sistema de trólebus de Ribeirão Preto,
usando nas respetivas capas
duas imagens do carro nº 1013.
1013, 1990/05

 

Inaugurado em 30 de novembro de 1988, o
Terminal de Integração na Praça Carlos Gomes
era início e fim de todas as linhas da Transerp.
Aqui os passageiros podiam trocar de linha,
sem qualquer pagamento adicional.
Foi desativado simultaneamente
com o fim do serviço de trólebus.

Trólebus 1002 na Estação de Integração da Pç. Carlos Gomes, 1999/06/14
Trólebus 1019 saindo da Estação de Integração, 1999/06/14

 

Trólebus 1022, Rua Américo Brasiliense, 1999/06/14 Os trólebus e os ônibus a diesel da Transerp
faziam serviço alternado nas mesmas linhas
- as mais movimentadas da cidade.
Porém os trólebus eram sempre os preferidos
pelos usuários, em detrimento dos ônibus a
diesel, e andavam habitualmente lotados
- como se poderá ver na foto do nº 1020
(em baixo), feita em 15/06/1999.
Trólebus 1020, Rua Martinico Prado, 1999/06/15

 

Duas belas imagens dos trólebus de
Ribeirão Preto, tomadas em 14 e 15
de junho de 1999 por Emídio Gardé:
nºs 1008 (em cima) e 1018.
De origem nacional e fabricação Mafersa,
eles possuem carroceria da Camo e
equipamento elétrico tipo shopper Villares.

Trólebus 1008, 1999/06/14
Trólebus 1018, 1999/06/15

 

Depôt, 1999/06/15 Duas imagens do mesmo local, tiradas com
17 dias de diferença: em 15 de junho de 1999
apenas se encontravam inoperacionais três
trólebus (dois deles visíveis na foto ao lado);
em 3 de julho, no mesmo local passaram
a estar inoperacionais vinte e dois trólebus.
De Depôt, o local passou a Cemitério.
Cemitério, 1999/07/03

 

Bilhete, fase experimental, 1982

Bilhetes de transporte:
durante a fase experimental,
em 1982 (esq.)
e na fase final, em 1999 (dir.).
Bilhete, frente, 1999/06/15
Bilhete, verso, 1999/06/15

 

Ao lado o mapa das linhas de trólebus,
traçado por Gert Aberson,
com as linhas existentes em
Ribeirão Preto em 15 de março de 1992.
Posteriormente passou a haver
mais uma linha, a 103, para o Forum.
Mapa das linhas de Trólebus de Riberão Preto

 

Poleiro para pássaros. Caso não seja reconhecido o erro agora cometido e
o sistema de trólebus de Ribeirão Preto não seja reativado,
e/ou enquanto o material não seja entregue à voracidade dos Homens, talvez seja esta a sua única utilidade.
Apesar de também ecologicamente correcto,
não foi certamente para isto que foi investido dinheiro público
no sistema de trólebus de Ribeirão Preto!

 

RETROCEDE AOS TROLEIBUS LUSÓFONOS


(*) Agradeço sinceramente a Vitor Cervi e ao seu jornal Verdade, de Ribeirão Preto, único órgão presente à morte do sistema de Trólebus da cidade, e que forneceu as imagens a preto-e-branco desta página, bem como as principais dados históricos do sistema (Leia a reportagem na íntegra). Bem haja!

Nedstat Counter Texto original de 2000.08.05; última actualização: 2004.07.10
Portuguese text: emidio.garde@ehgarde.jazznet.pt
English text: almo@tramz.com
http://www.ehgarde.jazznet.pt/trolleybus/rppt.htm