Inversão de marcha proibida: excepto troleicarros?!?

Troleicarros do Porto

(1959.01.01 - 1997.12.27)

Algumas datas da sua História

Data Acontecimento Observações
1954

Obras da JAE na Ponte D. Luiz I apontam para um seu precoce envelhecimento agravado pela passagem dos carros eléctricos – corrosão electrolítica nos pilares e excesso de vibrações.

 
1955

Estudo dos STCP para a substituição da rede de carros eléctricos em Vila Nova de Gaia por troleicarros.

 
1956

Concessão de um empréstimo ao STCP no valor de 20 milhões de Escudos para implementação do sistema de troleicarros.

 
1958

Chegada dos primeiros troleicarros. Pintados de vermelho escuro e com o tejadilho cinza, são fabricados em Inglaterra pela BUT - British United Trolley, com chassis Leyland e motor eléctrico de 99 kW (135 CV) Metropolitan-Vickers; têm duas portas e podem transportar até 55 passageiros, dos quais 32 sentados. Esta primeira encomenda é de 20 carros, os últimos dos quais só chegam ao Porto durante os primeiros meses de 1959. São numerados de 1 a 20. BUT

O troleicarro nº 1 encontra-se restaurado e preservado para o futuro Museu.
1958.12

Experiências dos troleicarros no centro da cidade.

 
1959.01.01

Início da exploração dos troleicarros. São criadas as carreiras
33, Pç. Almeida Garrett - Coimbrões (pelo tabuleiro superior da ponte D. Luiz I); e
35, Pç. Almeida Garrett - Lordelo do Ouro, a qual serve também de linha de serviço para a Estação de Recolha localizada na Carcereira.

A Estação da Carcereira existe desde 1948 e nela recolhem, à data, os autocarros.
1959.05.03

Após a chegada dos restantes troleicarros da primeira remessa de 20, iniciam-se nesta data as carreiras, todas em direcção a Vila Nova de Gaia (ao Sul do Porto):
31, Pç. Almeida Garrett - Câmara Municipal de Gaia - Stº. Ovídio - Infante - Pç. Almeida Garrett (ida pelo tabuleiro superior da Ponte de D. Luiz I e retorno pelo tabuleiro inferior);
32, Idem, em sentido oposto (anti-horário);
36, Pç. Almeida Garrett - Stº. Ovídio (via Bifurcação, pelo tabuleiro superior); e
37, Idem (via Mafamude, pelo tabuleiro inferior da Ponte).

Nesta data cessa o serviço de carros eléctricos em Gaia com a supressão das linhas 13 e 14.
1960.03.04

É extinta a carreira 37, Pç. Almeida Garrett - Mafamude - Stº. Ovídio; e a 35 é prolongada até Campanhã, via Bonfim.

 
1962

Segunda encomenda de troleicarros. Como os anteriores, são fabricados em Inglaterra pela BUT - British United Trolley, com chassis Leyland e motor eléctrico de 99 kW (135 CV) Metropolitan-Vickers; mas nesta encomenda de 6 carros, eles têm três portas e podem transportar até 71 passageiros, dos quais 20 sentados. Serão numerados de 21 a 26. BUT, 3 portas

O troleicarro nº 23 encontra-se restaurado e preservado para o futuro Museu.
1964.06.11

É criada a carreira 35A, Bonfim - Lordelo (via Campanhã), para reforço da linha 35 e em substituição da linha 11 de carros eléctricos.

 
1965

É feita a maior encomenda de troleicarros em toda a história desse tipo de transporte em Portugal: 75 carros, sendo 25 com um piso Lancia 1 piso e 50 com dois - estes com a particularidade de ter duas escadas interiores, um pormenor único no Mundo Lancia 2 pisos. Os chassis dos troleicarros são Lancia e os motores CGE - Compagnia General d'Eletricittà, ambas companhia italianas, o que fará com que, mais tarde, passem a ser conhecidos como «os italianos»; as carroçarias são construídas em Portugal pela empresa Dalva, do Porto. Possuem motores eléctricos de 110 kW (150 CV) e suspensão mista (hidráulica, molas e amortecedores) - que os tornam mais cómodos do que os BUT - e podem transportar até 76 passageiros (29 sentados), os carros de um piso, e até 91 passageiros (68 sentados) os de dois pisos. Receberam dois tipos de numeração: uma sequencial a partir de 27 (até 101) - a «matrícula» - e uma outra funcional, de acordo com o do tipo do carro: de 27 a 51 para os carros de um piso, e de 101 a 150 para os carros de dois pisos. A entrega dos carros iniciou-se em 1965 (os primeiros de dois pisos) e terminou já em 1967.

O troleicarro nº 49 (99), de um piso, encontra-se preservado para o futuro Museu, necessitando de restauro; o nº 102 (28), de dois pisos, está já restaurado e está também preservado para o futuro Museu.
1967.09.10

Iniciam-se as carreiras na direcção Este, para o concelho de Gondomar, com a utilização exclusiva dos carros de dois pisos:

10, Bolhão - Venda Nova (substituindo a linha 10 de eléctricos);
11, Bolhão - S. Pedro da Cova; (substituindo a linha 10/ de eléctricos);
12, Bolhão - Gondomar (substituindo a linha 10// de eléctricos).

Em 01.01 havia cessado o serviço de carros eléctricos para Gondomar, quando as linhas 10, 10/ e 10// passam a ser feitas, provisoriamente, por autocarros.
1968.10.26

Inaugurada, pelo Presidente da República, a Estação de Recolha da Areosa, com uma área de 25 mil m², e onde passam a recolher (apenas) os troleicarros - 101 operacionais à data.

 
1968.11.17

Iniciam-se as carreiras na direcção Norte:
9, Bolhão - Ermesinde (substituindo a linha de eléctricos com o mesmo número e com a utilização preferencial dos BUT de três portas); e
29, Bolhão - Travagem (com a utilização exclusiva de carros de dois pisos).

E, dentro da cidade, é criada a carreira
34, Bolhão - Campanhã (com a utilização preferencial dos Lancia de um piso).

Nesta mesma data é desactivada a carreira 35A e é suspensa, temporariamente, a carreira 35, a qual é substituída por autocarros (carreira 135); contudo, mantém-se em funcionamento em horas de ponta para reforço do serviço de autocarros.

Em 09.17 havia cessado o serviço de carros eléctricos para Ermesinde, passando a linha 9 a ser feita, provisoriamente, por autocarros.
1970.05.17

A carreira 35, Lordelo do Ouro - Campanhã (via Bonfim) é novamente colocada em operação regular.

É entre estas duas datas - cerca de 6 anos e meio - quando a rede de troleicarros no Porto apresenta a sua máxima extensão.
1972.12.10

É invertido o sentido de circulação da Rua de Stº. António (31 de Janeiro), pelo que as carreiras 32, 33 e 36 passam a descê-la em vez de a subir, continuando a terminar na Pç. de Almeida Garrett.

1976.12.13

Deixam de circular, definitivamente, as carreiras 34 e 35, ambas com término em Campanhã.

1977.05.09

Deixa de circular a carreira 10, Bolhão - Venda Nova.

 
1978.04.17

As carreiras 33 e 36 são prolongadas até à Rua Gonçalo Cristóvão (A.C.P.), via Rua de Stª. Catarina (ida) e Sá da Bandeira (volta).

Deixa de circular a carreira 31, Pç. Almeida Garrett - Câmara Municipal de Gaia - Stº. Ovídio - Infante - Pç. Almeida Garrett.

A carreira 32 passa a fazer o trajecto Rua de Gonçalo Cristóvão (A.C.P.) - Stº Ovídio (via Infante).

 
1978.07.10

As carreiras 32, 33 e 36 passam a descer a Rua de Passos Manuel, fazendo o ponto terminal na Rua de Sá da Bandeira (Café «A Brasileira»).

 
1981.08.24

Devido a obras na Rua de Stª. Catarina, as carreiras 32, 33 e 36 passam novamente a descer a Rua de 31 de Janeiro, fazendo aí o ponto terminal.

 
1981

São encomendados ao mercado nacional 25 novos troleicarros, sendo 15 simples e 10 articulados - os primeiros do tipo a existirem no país.

 
1983

Após a apresentação de um protótipo em 1982.08.16 em Coimbra, o Porto recebe o primeiro troleicarro de concepção e fabrico nacional, simples, com chassis e carroçaria Salvador Caetano, motor eléctrico de 131 kW (178 CV) Efacec e componentes electrónicos Kiepe, dotado com um motor auxiliar a diesel, de 4028 cm³ / 50 kW (68 CV), Hatz.Efacec simples

Os troleicarros nºs 74 (165), simples, e 167 (193), articulado, encontram-se preservados em estado original para o futuro Museu, necessitando apenas de pequenos restauros.
1984

São recepcionados as restantes 14 unidades simples e o primeiro exemplar das unidades articuladas; as restantes unidades articuladas são recebidas em 1985. Os carros articulados são em tudo idênticos aos simples, à excepção do motor eléctrico que é de 209 kW (284 CV). Efacec articulado
Como para os Lancia, os Efacec receberam duas numerações: uma sequencial - a «matrícula» - e uma outra funcional, de acordo com o tipo do carro: os carros simples foram «matriculados» de 152 a 166 e com a numeração funcional de 61 a 75 e os articulados «matriculados» de 186 a 195 e com a numeração funcional de 160 a 169.

1990

É lançado novo concurso para aquisição de 35 novos troleicarros articulados, o qual é entretanto cancelado por razões económicas.

 
199?

São abatidos ao serviço e vendidos para a sucata os troleicarros BUT e Lancia. Além dos referidos atrás e reservados para o Museu do Troleicarro, existem ainda os Lancia de dois pisos 118 e 137, em muito mau estado de conservação e de recuperação duvidosa.

 
1993.07

Cessam as carreiras de troleicarros para Vila Nova de Gaia – 32, 33 e 36 -, em virtude de obras na Av. da República.

 
1994

É criada a carreira 49, Hospital de S. João – Infante, a qual substitui a carreira de autocarros com o mesmo número.

 
199?

É criada a carreira 14, Hospital de S. João – Alto da Serra, (via Circunvalação).

 
199?

É extinta a carreira 14.

 
1997.12.27

Extingue-se o serviço de troleicarros na cidade do Porto com o encerramento, nesta data, da carreira 49, no trecho entre o Bolhão e o Hospital de S. João.
Os remanescentes 25 troleicarros Efacec permanecem na Estação de Recolha da Areosa enquanto a STCP inicia a procura de um comprador nos países de Leste.

 
1999.12.03

É visto a circular em torno do pátio da Estação da Areosa, sob a catenária - sendo alimentado a energia eléctrica (talvez pela última vez desta forma) -, o troleicarro nº 64 (155), em preparação para uma visita de potenciais compradores russos.

 
2000.09

A Almaty Elektrotrans, do Cazaquistão, adquire, por menos de 20 milhões de Escudos e através de um dealer alemão, os 23 Efacec à venda.

Leia os artigos do JN a respeito.
2000.10.03

Circulam pela última vez troleicarros no Porto. Desta vez propelidos pelo motores diesel auxiliares (haviam sido retiradas as varas), 14 Efacec simples e 9 articulados percorrem, entre as 22h09 e as 03 horas do dia 4, os cerca de 12 km que separam a Estação de recolha da Areosa do Porto de Leixões, onde são embarcados, no dia 10, no navio russo Amur 2537 com destino a S. Petersburgo, com posterior encaminhamento, por via férrea, para Almaty.

 
dia 1 do séc. XXI

Subsistem raríssimos vestígios da passagem dos troleicarros pela cidade; as linhas aéreas que existiam entre o PT eléctrico da Areosa e a Estação de Recolha (cerca de 1 km) até 10.03 foram retiradas de imediato; tudo o resto já faz parte da história.

 

Fontes:

   Errs, Ernest Trolleybus network, http://home.wxs.nl/~ekers/Net/trolleyb.html
  
Monterey, GuidoO Porto -  Origem, Evolução e Transportes, 2ª. Ed, Porto, 1972.
  
STCP, Serviço de Transportes Colectivos do Porto – 25 Anos de Troleicarros no Porto (folheto), Porto, 1984.
  
Vasconcelos, Eng. Antº. – Em memória dos Troleicarros no Porto, In «Jornal de Notícias», Porto, 1999.06.06.


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Última atualização / Last edition: 2004-02-29
Versão em português: Emídio Gardé, eletricos@ehgarde.jazznet.pt
http://usuarios.tripod.es/trolleybus/ptdataspt.htm
Veja o estado do tempo no Porto.