Troleicarros de
COIMBRA

(1947.08.16)


Frota, mapa & fotos

Decorre o ano de 1938 quando a Câmara Municipal de Coimbra começa a mostrar interesse pelos troleicarros; estes iriam complementar a rede de carros eléctricos existente, expandindo o serviço de transportes públicos urbanos para a margem sul do Rio Mondego, o qual é atravessado por uma ponte metálica, antiga e algo frágil, que não permite a passagem de carros eléctricos.  Assim, mantendo a mesma forma de tracção (eléctrica), as características peculiares dos troleicarros servirão, com um ótimo desempenho, a zona montanhosa do bairro de Santa Clara.

Alguns anos mais tarde, passadas as dificuldades entretanto surgidas, é concretizado o plano da CMC; nos primeiros meses do ano de 1947, sob a orientação de engenheiros suíços, é instalado entre o Convento de Santa Clara e o Largo das Ameias, junto à Estação Ferroviária de Coimbra A, um par de linhas eléctricas que irão alimentar a primeira linha de troleicarros do país: a linha 6.

O serviço é inaugurado em 16 de Agosto de 1947 com dois troleicarros de fabrico suiço Secheron/Saurer, aos quais havia sido atribuídos os nºs de série 21 e 22 - na sequência dos eléctricos, cuja série terminava em 20.
O novo transporte é muito bem recebido pela população: «suaves, cómodos e sem "maus cheiros", os troleicarros "trepam" facilmente até ao alto de St.ª Clara», conforme escreve a imprensa da época. E serve até de atracção turística: os forasteiros (lisboetas e portuenses, principalmente), muitas vezes vindos à cidade para assistirem aos jogos de futebol, admiram-se vendo os «autocarros movidos a electricidade»...

Face ao sucesso, em 1949 chega nova remessa de troleicarros; desta vez são seis Sunbeam, de fabrico inglês, numerados de 23 a 29. São maiores e vêm - estes sim - substituir alguns eléctricos: a 10 de março de 1951 a linha 5, para S. José, muda de eléctrico para troleicarro, sendo na mesma data criada a carreira 5/, em sentido oposto (sentido horário).
Mas sucede o inesperado logo no dia da inauguração: o piso de algumas ruas do trajecto - Av. do Brasil e dos Combatentes, p. ex. - era, em grande parte, revestido a calçada à portuguesa, velha e desalinhada, a qual provocava uma imensa e descontrolada - e altamente desconfortável - trepidação naqueles modernos e atraentes troleicarros!
Apesar da pronta intervenção dos serviços municipais corrigindo tais pisos, os primeiros meses de duro serviço foram fatais para a posterior manutenção e conservação dos Sunbeam.

Em 30 de Outubro de 1954 é inaugurada uma nova ponte; então, desde aí e até ao Portugal dos Pequeninos, a linha aérea é duplicada e entram ao serviço mais três Sunbeam.
Em 1956 outros quatro troleicarros aumentam a frota dos SMC - estes possuem chassis e equipamento eléctrico Sunbeam mas são carroçados nas próprias Oficinas dos Serviços de Transportes Colectivos de Coimbra.

A par do aumento de número de troleicarros em serviço, há algumas alterações ao sistema de transportes da cidade: algumas linhas de eléctricos são substituídas por carreiras de troleicarros, enquanto estas mesmo sofrem aumentos e alterações. Até que surge, em 1961, a bizarra situação da carreira 5 que, sendo circular, possuía dois ramais, dois terminais e... cinco destinos diferentes!

Os anos que se seguem são de consolidação do sistema de troleicarros na cidade, não havendo alterações dignas de nota, além das duas aquisições de seis novos troleicarros em 1963 e 66 e, em Julho de 1980, da aquisição e desmantelamento do que existe da rede de troleicarros de Braga, recém desactivada. Os dois únicos Henschel de 1951 (recarroçados em meados dos anos 70 pela CAMO - Carrocerias Modernas) sobreviventes fazem ainda alguns testes pelas ruas de Coimbra mas, sendo os resultados pouco animadores, encostam no parque dos SMTUC e aí permanecem até, pelo menos, 1985, servindo de fonte de peças sobressalentes.

E é no ano das Bodas de Coral dos troleicarros (1982) que se dá uma mexida nos serviços; em nítido apoio à então debilitada indústria nacional - em conjunto com os STCP - são adquiridos  (após um concurso com contornos algo sinuosos...), 20 troleicarros de «concepção, desenho e fabrico nacionais» com chassis e carroçaria Salvador Caetano, motor eléctrico de 131 kW (178 CV) Efacec e componentes electrónicos Kiepe (alemães).
O protótipo é solenemente apresentado em Coimbra em 16 de Agosto, durante uma programa especialmente elaborado para a ocasião - que inclui o descerramento de uma placa comemorativa em Santa Clara e uma Sessão solene no Salão Nobre dos Paços do Concelho, seguida de Conferência de Imprensa.
As novas viaturas são entregues durante os anos de 1984 e 85 e vêm a substituir os anteriores Sécheron/Saurer e Sunbeam, os quais são demolidos, na sua quase totalidade, poucos anos mais tarde; sobram o Sécheron/Saurer nº 22, grandemente descaracterizado pela reforma que sofreu nos anos 70 e que se encontra guardado para Museu, e um par de Sunbeam espalhados por algumas Quintas e/ou entidades em torno da cidade de Coimbra.

Nos inícios dos anos 90 as carreiras começam a sofrer diversas alterações e reduções: primeiro são eliminadas as linhas para a zona sul (por onde começaram os troleicarros...), permanecendo a linha aérea na Ponte apenas para serviço do Depôt, que passou a localizar-se na Guarda Inglesa; depois, com a duplicação da avenida Emídio Navarro junto ao Parque, em meados da década, é eliminada a carreira 7T, Estação Nova - Tovim (sentido anti-horário), mantendo-se a 7 (sentido horário), a qual vem a ser eliminada em Dezembro de 1999...

A rede actualmente consiste em três carreiras (ver diagrama da rede):

1. Estação Nova - Universidade
3. Estação Nova - Stº. António dos Olivais (via Penedo da Saudade)
4. Estação Nova - Stº António dos Olivais (via Conchada e Celas)

nas quais circulam, durante os dias úteis e até cerca das 20h30, os dezanove troleicarros existentes. A 22 de Setembro de 2002 - o Dia sem Carros - foi criada uma comemorativa do 55º aniversário do sistema e recria a quase totalidade do traçado original da linha 5, a que se atribuiu o nº de carreira 55. Devido ao pouco volume de passageiros, deixou de funcionar a 31 de Julho de 2003.

O serviço de troleicarros é suspenso durante o mês de Agosto, para férias e manutenção.

Na realidade, e nesta mudança de século, não obstante tantas campanhas no sentido de tornar melhores as nossas vidas e de diminuir e racionalizar o uso dos combustíveis fósseis é, porém, Coimbra a única cidade do país - e da Península! - que mantém este ecológico e inteligente meio de transporte público! Que assim seja por muitos anos e que outras lhe sigam o exemplo!!


RETROCEDE AOS TROLEICARROS


Última atualização / Last edition: 2007-11-10
Versão em português: ehgarde@sapo.pt
http://ehgarde.planetaclix.pt/trolleybus/cbpt.htm
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