Troleicarros
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Em virtude do nítido declínio da qualidade de serviço prestado pelos carros eléctricos em Braga - em serviço desde 1914 - e face aos constrangimentos económicos então verificados, a Câmara Municipal de Braga adquire, em 1961, a totalidade do material fixo e a quase totalidade do móvel do sistema de troleicarros da cidade alemã de Heilbronn, que aí havia circulado entre 1951 e 1960: 9 viaturas, caminhões-torre de apoio, e todo o material acessório - cabos elétricos, suportes, ligadores, etc., etc..
Chegado o material, é instalado entre o Depôt e Campo das Hortas um pequeno trecho de via para ensaio e o treinamento dos condutores. A primeira viagem oficial, de teste, com o troleicarro a ser conduzido por um motorista dos Serviços de Transportes Colectivos do Porto, tem lugar a 4 de Outubro de 1962.
Como os carros eléctricos
usam coletor de arco, os fios condutores de energia dos tróleis têm de ser
instalados separados; contudo, num determinado ponto, eles cruzam-se num ângulo fechado,
deixando um distância pequena entre si. Assim, numa
das viagens de teste, o troleicarro, o nº 9, ao
passar por esse local, sofre uma violenta e destruidora descarga elétrica de 1400 V - o
que o torna futura fonte de peças de reposição para os restantes troleicarros.
Constata-se então que, certamente por erro de instalação, os carros eléctricos
em Braga têm a polaridade elétrica invertida: o neutro (ou terra)
está no fio aéreo, enquanto que a fase está nos carris!
Após este incidente, a instalação dos fios condutores é refeita, sendo agora colocados acima dos dos carros eléctricos. Isso obriga a que, nos cruzamentos com o fio condutor dos carros eléctricos e enquanto decorria o período de ensaios, as hastes dos polos tinham de ser baixadas sempre que um troleicarro cruzava com uma linha de eléctrico.
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A 28 de maio de 1963, data comemorativa do levantamento militar havido 35 anos antes na mesma cidade e que vem a resultar no Estado Novo (que só vem a terminar em 25 de abril de 1974), é oficialmente inaugurado o sistema de troleicarros de Braga. Compreende as mesmas duas linhas dos carros eléctricos : do Monte d'Arcos à Ponte de S. João (mais tarde receberá o nº 5); e de Maximinos ao Bom Jesus do Monte. Esta linha vem, mais tarde (1969), a ser encurtada no lado norte em Gualtar, enquanto que a sul é extendida cerca de 800 metros. |
Braga, Festejos de S. João, 24 de Junho de 1963 |
Em 1967 os Serviços Municipalizados arrendam o sistema à SOTUB - Sociedade de Transportes Urbanos de Braga, a qual termina, pouco depois, com a carreira para o Bom Jesus, encurtando-a a Guartar. Na realidade, no último trecho do trajeto, há apenas um par de fios - para ida e volta - instalados nos suportes dos antigos carros eléctricos, à margem da estrada, o que dificulta a operação - tanto mais que a estrada agora foi duplicada, com a criação de um canteiro central.
Os troleicarros tinham recebido os nºs 1 a 3 (M.A.N.) e 4 a 9 (Henschel) quando chegaram a Braga; são pintados de cor creme, com os relevos em azul e o brasão da cidade e os dizeres Cidade de Braga pintados nas laterais. Em 1969 são repintados, agora de cor-de-ginja, com a parte superior creme e os tejadilhos cinzentos; e em meados dos anos 70 os carros nºs 7 e 8 são carroçados de novo pela CAMO - Carrocerias Modernas.
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Duas imagens de um troleicarro partindo do seu términus, nas
Arcadas, ao cimo da Av. da Liberdade, |
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Nesta altura
circulam apenas as carreiras nºs 5 (Maximinos - Gualtar) e 6 (Ponte de S. João - Monte
d'Arcos). Pequenos ajustes nos traçados vão sendo feitos conforme as necessidades e, em
1973, deixa de funcionar a linha 6.
A 5 subsiste até 9 de setembro de 1979; no dia seguinte a carreira é
reestruturada e o sistema de
troleicarros de Braga é encerrado definitivamente. No país ele tinha sido o terceiro, e último, a entrar em
funcionamento - mas é agora o primeiro a encerrar, com 16 anos de operação.
Os dois
últimos troleicarros de Braga, nºs 7 e 8 (cor-de-ginja, em primeiro plano), na
Estação de Recolha dos |
Os carros
são vendidos aos SMTUC - Serviços Municipalizados de Coimbra,
cujo pessoal procede à desmontagem do sistema em Braga. Dos oito troleicarros
existentes, seis vão diretamente para a sucata na Curia, onde são desmontados, e os
outros, de nºs 7 e 8, vão para o Depôt dos SMTUC e, embora
renumerados para 48 e 49 integrando assim a frota de troleicarros de Coimbra,
apenas efetuam algumas experiências, não muito bem sucedidas, nas ruas da cidade, pelo
que passam a servir apenas como fonte de peças de reposição...
Aqui permancem pelo menos até 1985, quando desaparecem definitivamente - também
para a sucata, certamente.
| Última
atualização / Last edition: 2004-02-29 Versão em português: Emídio Gardé, emidio.garde@ehgarde.jazznet.pt http://www.ehgarde.jazznet.pt/trolleybus/bgpt.htm |