Troleicarros de
BRAGA

(19
63.05.28 - 1979.09.09)



Em virtude do nítido declínio da qualidade de serviço prestado pelos carros eléctricos em Braga - em serviço desde 1914 - e face aos constrangimentos económicos então verificados, a Câmara Municipal de Braga adquire, em 1961, a totalidade do material fixo e a quase totalidade do móvel do sistema de troleicarros da cidade alemã de Heilbronn, que aí havia circulado entre 1951 e 1960: 9 viaturas, caminhões-torre de apoio, e todo o material acessório - cabos elétricos, suportes, ligadores, etc., etc..

Chegado o material, é instalado entre o Depôt e Campo das Hortas um pequeno trecho de via para ensaio e o treinamento dos condutores. A primeira viagem oficial, de teste, com o troleicarro a ser conduzido por um motorista dos Serviços de Transportes Colectivos do Porto, tem lugar a 4 de Outubro de 1962.

Como os carros eléctricos usam coletor de arco, os fios condutores de energia dos tróleis têm de ser instalados separados; contudo, num determinado ponto, eles cruzam-se num ângulo fechado, deixando um distância pequena entre si. Assim, numa
das
viagens de teste, o troleicarro, o nº 9, ao passar por esse local, sofre uma violenta e destruidora descarga elétrica de 1400 V - o que o torna futura fonte de peças de reposição para os restantes troleicarros. Constata-se então que, certamente por erro de instalação, os carros eléctricos em Braga têm a polaridade elétrica invertida: o neutro (ou terra) está no fio aéreo, enquanto que a fase está nos carris!

Após este incidente, a instalação dos fios condutores é refeita, sendo agora colocados acima dos dos carros eléctricos. Isso obriga a que, nos cruzamentos com o fio condutor dos carros eléctricos e enquanto decorria o período de ensaios, as hastes dos polos tinham de ser baixadas sempre que um troleicarro cruzava com uma linha de eléctrico. 

A 28 de maio de 1963, data comemorativa do levantamento militar havido 35 anos antes na mesma cidade e que vem a resultar no Estado Novo (que só vem a terminar em 25 de abril de 1974), é oficialmente inaugurado o sistema de troleicarros de Braga.

Compreende as mesmas duas linhas dos carros eléctricos : do Monte d'Arcos à Ponte de S. João (mais tarde receberá o nº 5); e de Maximinos ao Bom Jesus do Monte. Esta linha vem, mais tarde (1969), a ser encurtada no lado norte em Gualtar, enquanto que a sul é extendida cerca de 800 metros.

Braga, Festejos de S. João, 24 de Junho de 1963

Em 1967 os Serviços Municipalizados arrendam o sistema à SOTUB - Sociedade de Transportes Urbanos de Braga, a qual termina, pouco depois, com a carreira para o Bom Jesus, encurtando-a a Guartar. Na realidade, no último trecho do trajeto, há apenas um par de fios - para ida e volta - instalados nos suportes dos antigos carros eléctricos, à margem da estrada, o que dificulta a operação - tanto mais que a estrada agora foi duplicada, com a criação de um canteiro central.

Os troleicarros tinham recebido os nºs 1 a 3 (M.A.N.) e 4 a 9 (Henschel) quando chegaram a Braga; são pintados de cor creme, com os relevos em azul e o brasão da cidade e os dizeres Cidade de Braga pintados nas laterais. Em 1969 são repintados, agora de cor-de-ginja, com a parte superior creme e os tejadilhos cinzentos; e em meados dos anos 70 os carros nºs 7 e 8 são carroçados de novo pela CAMO - Carrocerias Modernas.

Troleicarro no términus das Ascadas (Av. Liberdade) Troleicarro no términus das Arcadas (Av. Liberdade)

Duas imagens de um troleicarro partindo do seu términus, nas Arcadas, ao cimo da Av. da Liberdade,
na segunda metade da década de 60 [Clique nas fotos para ampliar].
(Fotos de Arsindo, na colecção de Emídio Gardé)

Nesta altura circulam apenas as carreiras nºs 5 (Maximinos - Gualtar) e 6 (Ponte de S. João - Monte d'Arcos). Pequenos ajustes nos traçados vão sendo feitos conforme as necessidades e, em 1973, deixa de funcionar a linha 6.
A 5 subsiste até 9 de setembro de 1979; no dia seguinte a carreira é reestruturada e
o sistema de troleicarros de Braga é encerrado definitivamente. No país ele tinha sido o terceiro, e último, a entrar em funcionamento - mas é agora o primeiro a encerrar, com 16 anos de operação.

Troleicarros de Braga no Depôt dos S. M. Coimbra, 1982.

Os dois últimos troleicarros de Braga, nºs 7 e 8 (cor-de-ginja, em primeiro plano), na Estação de Recolha dos
S. M. de Coimbra, em 1982, tendo aqui recebido os nºs 48 e 49, embora nunca tenham circulado.
À esquerda, mais ao fundo, alguns troleicarros de Coimbra (amarelos).
(Foto © de Pedro Costa)

Os carros são vendidos aos SMTUC - Serviços Municipalizados de Coimbra, cujo pessoal procede à desmontagem do sistema em Braga. Dos oito troleicarros existentes, seis vão diretamente para a sucata na Curia, onde são desmontados, e os outros, de nºs 7 e 8, vão para o Depôt dos SMTUC e, embora renumerados para 48 e 49 integrando assim a frota de troleicarros de Coimbra, apenas efetuam algumas experiências, não muito bem sucedidas, nas ruas da cidade, pelo que passam a servir apenas como fonte de peças de reposição...
Aqui permancem pelo menos até 1985, quando desaparecem definitivamente - também para a sucata, certamente.


RETROCEDE AOS TROLEICARROS


Última atualização / Last edition: 2004-02-29
Versão em português: Emídio Gardé, emidio.garde@ehgarde.jazznet.pt
http://www.ehgarde.jazznet.pt/trolleybus/bgpt.htm
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